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Um desabafo sobre como eu desencantei o amor e tudo o que me rodeia Feminino

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Eu realmente não me sinto confortável em dizer isso para ninguém, então vou dizer para todo mundo, mesmo que não faça sentido algum. O fato é que eu tenho 18 anos e estou naquela fase complicada de término de colegial + vestibular+ trabalho + um medo incompreensível da vida adulta.
Acho que parte disso é porque eu não quero deixar a minha adolescência. Acho que não quero aceitar o quão incompleta ela é. Sabe, durante anos eu tive sonhos, mas agora eu percebo que nunca fiz nada para que pelo menos um deles se tornasse realidade. Por exemplo, eu tenho uma amiga muito inteligente que escreve extraordinariamente bem, vai bem em todas as matérias na escola, sempre recebe mérito (não me interprete mal, eu realmente acho que ela merece cada um deles) e tal, e a única coisa em que eu consigo pensar é que não produzi nada. Em 18 anos, eu nunca produzi nada. Eu não escrevo bem, não toco nenhum instrumento, não danço nada, não canto, não sei desenhar, muito menos pintar, não me destaco excepcionalmente nas matérias da escola (embora tenha médias altas), não pratico nenhum esporte nem sei cozinhar, muito menos costurar. Entende? Não quero que isso seja uma típica confissão adolescente, mas como você esperaria que uma adolescente de 18 anos reagisse? Porque é isso que eu tenho até agora: 18 anos e uma cabeça confusa.
Eu não tenho grandes atrativos no tocante à aparência física, embora não me considere necessariamente um caso perdido. Eu gosto do meu cabelo armado e confesso, tenho algumas curvas avantajadas, mas isso tudo não se trata de conseguir um flerte de alguém. Trata-se de prosseguir com a vida. E esse é o problema, é por isso que eu estou aqui. Eu tenho amigos, mas faz muito tempo que sinto que não tenho mais aquela amizade verdadeira, entendem? Não consigo me sentir segura em compartilhar minhas fraquezas com outras pessoas, não consigo nem chorar na frente das minhas melhores amigas. Eu sinto como se não importa o que aconteça, elas nunca me escutam de verdade. Além do mais, sinto como se eu estivesse me arriscando demais, como se fosse uma ferida aberta ao vento; é assustador e triste, e isso está acabando comigo. Eu nunca namorei e honestamente, não acredito que isso vá acontecer tão cedo. É um outro fato sobre mim: eu não consigo me relacionar romanticamente. Apesar do meu recente drama com amizades e problemas de confiança, eu sempre fui considerada como extrovertida e bem sucedida no quesito "fazer amigos". Nunca tive que ficar completamente sozinha na escola, na família ou em um evento em que eu não conhecesse ninguém - sempre acabava puxando assunto. Sempre tive bons amigos, mas tenho sentido que a cada ano que passa, a confiança falha um pouco. Sabe quando você olha para o seu melhor amigo e é como se pudesse sentir o elo entre vocês? Como se pudesse jurar que levaria uma bala por ele(a), que vocês são irmãos (ãs) separados na maternidade? Faz muito tempo que não me sinto assim. No começo, eu achava que existia uma competição entre nós, que as minhas amigas não estavam sendo verdadeiramente sinceras comigo, ou algo do tipo, mas, agora, acho que eu não estou sendo sincera comigo mesma. A ideia de que a nossa amizade de 3 anos praticamente estagnou no 1 ano por minha causa é muito dolorosa para lidar. De qualquer forma, apesar de fazer amigos sem muitas dificuldades, não consigo me relacionar com ninguém (romanticamente falando). Algumas das minhas amigas namoram, minha irmã mais velha está prestes a se casar e eu acho que um menino gosta de mim. Entretanto, não consigo gostar deles, nem de garotas, nem de ninguém. Quando assisto a filmes e séries, me sinto atraída pelos personagens, por algo que não é real. Acho que eu gostaria muito que fosse, que essa felicidade toda fosse algo alcançável, que o amor fosse palpável, gostaria tanto, que não consigo aceitar a realidade das coisas. Passo horas ouvindo música e é incrível como isso me desliga de tudo. Posso passar 24h ouvindo músicas e me transportar mentalmente para uma realidade alternativa em que eu sou genuinamente feliz. O problema é que isso me fez perceber que estou usando a música, algo que eu amo tanto, como um remédio para me desligar da vida real, da vida que eu preciso consertar, das responsabilidades que simplesmente não vão sumir. Me tornei ainda mais procrastinadora e quase não falo com a minha família, embora moremos na mesma casa. Algumas vezes eu me sinto vazia, incapaz de sustentar um relacionamento, amoroso ou não. Sinto que desaponto as pessoas que eu acho que se importam comigo, mas não consigo evitar. Estou tentando crescer, mas não sei como.
Há um tempo que eu noto que sinto uma repulsa de pessoas em geral. Da pele delas, de quem elas são. Talvez os meus padrões estejam muito altos, algo que me atrapalha a ver a realidade como ela é de verdade, mas é o que acontece. Todas as vezes em que eu chego perto de me relacionar com alguém, tudo o que eu consigo pensar é que o cara é fofo, é bonito, mas e depois do primeiro encontro? E depois de alguns meses? Ele é um ser humano como todo mundo, tem falhas como todo mundo, vai me machucar, vai me mostrar quem ele realmente é. E então, a maravilhosa sensação de estar recém apaixonada se esvai completamente. O que sobra é nada mais que a falta de esperança e a repulsa e não importa o quanto ele tenha me interessado nesse meio tempo, amanhã eu provavelmente não vou mais querer vê-lo. Ou vou magoá-lo, o que vier primeiro. Sem remorso.
Entendem? Eu quero ser amada, quero sentir a emoção do primeiro amor, mas não consigo me apaixonar! O ciclo é sempre este: eu gosto de alguém, me aproximo desse alguém, depois a coisa toda acaba e eu me afasto. Depois de um tempo, sofro. Não pela pessoa que acabei de perder, mas por finalmente me tocar de que o ciclo está acontecendo outra vez, e outra vez, e outra e outra e outra...
Talvez pareça um drama desnecessário, mas quero me libertar disso sem ter que me expor demais. Quero emoção, mas não consigo confiança o suficiente. Eu estou cansada de chorar, estou cansada de nunca ser a melhor em nada, estou cansada de olhar no relógio e ver que mais um dia se passou e tudo o que eu consegui fazer foi procrastinar a minha própria vida, sem conseguir nenhum resultado bom ou satisfatório depois de tudo isso. É quase como se eu pudesse sentir essa barreira na minha cabeça, algo muito mais forte do que a simples preguiça se me levantar e fazer algo por mim mesma. De mudar, ser diferente. Todas as vezes que eu tento, me enxergo na ponta de um precipício, congelada de medo. E não consigo me mexer, nunca consigo me mexer. Agonia, medo, raiva, angústia, inveja do sucesso dos outros.
Eu prometi a mim mesma que deixaria aos meus filhos um legado melhor, uma vida melhor. Uma vida em que eles não tivessem que me ouvir vagando a noite pela casa para descobrir como pagar as contas enquanto eles fingem dormir, uma vida em que eles podem ter condições decentes de vida. Em que eles não tenham que esperar até os 18 anos para conseguir algo como uma casa própria minúscula. Veja, não estou reclamando do que tenho e reconheço que outras pessoas tem muito menos. Só estou dizendo que quero algo melhor do que isso para os meus filhos- foi o acordo que fiz comigo mesma antes de me descobrir tão frustrada por não conseguir me mexer para pagar tal dívida. Se eu não conseguisse, disse a mim mesma, não teria filhos, mesmo querendo, não os teria.
De qualquer forma, é assim que me sinto. Eu sei que é um pouco melodramático demais, mas quem nunca passou por uma crise existencial na vida que atire a primeira pedra - meu peito está aberto para recebê-la.
Não consigo pagar um psicólogo, nem hipnotizar alguém para ouvir o quão insignificante a minha vidinha é, então achei o site e imaginei se não me sentiria melhor em compartilhar como eu desacreditei de qualquer forma de amor na vida e de como esperar por um amor que eu sei que não existe me faz sofrer todos os dias poderia me fazer algum bem. Porque eu olho para o fim da tarde todos os dias e espero que a minha curta vida não seja tão insignificante quanto a de todo mundo. A repulsa, outra vez; o ciclo.

Texto desabafado por Kara , em Quarta, 07 de Setembro de 2016
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